Socorro!

Em 2008 a música brasileira passou por uma epidemia causada por um vírus que todos achavam já estar extindo desde 1970. De Marcelo Camello a Mallu Magalhães, todos foram infectados pelo “Mamãe quero ser Dylan”. Talvez o burburinho causado pelo lançamento do filme Eu Não Estou Lá, em que vários atores encarnam fases da vida de Bob Dylan, incluindo Christian Bale, Cate Blanchett e o falecido (e premiado) Heath Ledger, possa ter desencadeado a epidemia. O que teria sido reforçado pela presença em carne e osso do trovador de Minnesota, que passou pelo Brasil em março.

Seja lá o que tenha acontecido para música brasileira tomar esse rumo, o antídoto veio rápido: uma dose generosa do bom e velho rock ‘n’ roll. O lançamento de Black Ice, primeiro disco de inéditas do AC/DC em oito anos, foi um alívio para os meus ouvidos já enjoados dos violões acompanhados por vozes meladas e sussurrantes (quase inaudíveis).

Os garotões australianos conseguiram feitos inéditos, como ser a única banda de rock a substituir o vocalista e continuar fazendo sucesso. Quando Bon Scott morreu, a banda estava no auge e os irmãos Young tiveram culhões para colocar Brian Johnson no lugar de um cara que já tinha conquistado milhões de fãs e, ainda por cima, fazer do disco de estréia do “substituto”, o Back In Black, um dos mais vendidos da história da música. Uma outra questão que considero única do AC/DC, é a capacidade que os caras tem de fazer sempre a mesma coisa e continuar sendo inacreditavelmente bons.

” AC/DC é aquela banda que, quando você esta saturado do novo rock, do rock modinha ou simplesmente de saco cheio de modistas que ligam mais para um visual ao invés da musica, os caras aparecem e lançam um CD com formas antigas, resgatando tudo o que o rock and roll tem de bom, é como receber a visita de um tio legal e que você não vê há um bom tempo “, taí uma rara verdade dita por um VJ qualquer da MTV, dia desses.

Black Ice é tudo o que se espera de um disco do bom e motherfucker velho rock and roll. É tudo o que se espera de AC/DC. Tanto que foi o terceiro disco mais vendido de 2008 (sendo que foi lançado em outubro).

E contra o “Mamãe quero ser Dylan”, uma dose de Rock and Roll Train pra galera!

Anúncios

2 Respostas to “Socorro!”

  1. Capitão Conhaque Says:

    Dessa vez entramos em um pequeno conflito.
    Acho a Mallu Magalhães uma benção. Em um mundo que meninas dessa idade querem ser Hilary Duff (e mais especificamente em um país que querem ser Ivete Sangalo) uma prefere ser Bob Dylan. Natacha, não sei como vc pode achar isso ruim. E o melhor: ela realmente tem talento, não apenas pose.
    Adoro AC/DC, mas prefiro Bob Dylan.
    E uma onda de “mamãe quero ser Dylan” me deixa muito mais feliz que as várias ondas “mamãe quero ser Cobain”, “mamãe quero ser Spears”, entre outras.

    🙂

  2. gusricci Says:

    Mamãe eu quero ser Pepe e Nenem! E AC/DC é muito chato.

    beijos!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: